
"A mente que se abre a uma nova idéia jamais volta ao seu tamanho original."
"A imaginação é muito mais importante que o conhecimento."
"Um raciocínio lógico leva você de A a B. Imaginação leva você a qualquer
lugar que você quiser."
____________________________________________Albert Einstein
Presente de minha amiga Carol Timm!
Obrigada, viiu, Carol?

Fala de tanta coisa ao mesmo tempo que no fim não sobra nada.
Ana Angélica, um nome assim tipo arrebatador. Não que ela faça o gênero – um pouco tosquinha, simpática e boa pessoa. Impossível é seguir o fio de seus pensamentos ou manter uma conversa coerente que dure mais de três minutos. O pensamento de Ana Angélica é como um tobogã transparente por onde deslizam incontáveis pedaços de assunto, nomes que não se sabe de onde vêm, lembranças e sensações mal definidas, misturadas como meadas de várias cores. Ana Angélica não conta uma história, conta várias ao mesmo tempo, e no fim é preciso fazer múltipla escolha entre os trechos de enredo e os finais. Por qualquer motivo ela ri, ri muito, o que torna suas falas uma colagem de palavras incompletas mas coloridas.
Não, não é doida nem passa perto disso. É alegre e adora se divertir. Ninguém a encontra em casa nas noites de sexta ou a qualquer hora nos sábados, sendo que aos domingos vai à missa – diz que se faltar à missa alguma coisa muito ruim sempre acontece durante a semana – e dali parte para a praia se não chover. Depois almoça um churrasco em casa de amigos ou amigos de amigos, toma todas que aparecerem e vai dormir cedo porque segunda é dia de voltar ao posto de recepcionista de uma clínica de estética na Barra.
Tem um círculo de amizades surpreendentemente grande, variado e flutuante. Tem orkut, adora sexo na internet e faz questão de espalhar suas fotos em todos os sites de relacionamento. Já fez dois abortos, porque diz que só quer filhos depois dos trinta e cinco e ainda tem vinte e oito. Fica, namora, sai sempre com alguém, faz qualquer coisa para não ficar sozinha, mas nunca demora mais de quinze dias com o mesmo cara.
Acredito que isso acontece porque uma vez passou uns meses com um sujeito que a trocou por outra e fez de seu coração risonho uma gruta escura. Caiu em depressão, parou de comer, quase morreu sozinha em seu canto. Os amigos a salvaram do desespero, mas depois do luto pelo amor falecido, voltou à rotina de variedades que a mantém sempre com o olhar brilhando e os dentes bonitos de fora.
Ana Angélica não quer servir de exemplo pra ninguém. Não se responsabiliza, e como tem o coração fácil de derreter, chora com facilidade, mas logo se distrai e esquece. Vive cada momento, não pensa no futuro nem pára em lugar nenhum do passado. Alguém já disse que ela é como espuma, sempre efervescente e renovada. Ana Angélica se especializou em esquecer.

um blog sem comentários.
René Magritte.
Não é bastante ter boa educação. É preciso mais, tentar entender a si e aos outros, e por causa disso viver melhor. Sem isso a vida fica muito difícil (já é o bastante).
Acho que ser feliz depende de saber acolher mas também de saber ser acolhido. Um grande mal – que não é de hoje, mas está atingindo uma tensão insuportável – é uma intolerância que nasce exatamente de não entender, não saber e não querer se identificar com algum traço do outro, recusar a troca, o convívio, a palavra do outro.
Não vem daí a raiz e todas as guerras?
E além da simples convivência social ou de trabalho, é preciso dar uma chance à alegria da amizade e ao amor. Sem abertura para entender, ouvir e conhecer melhor os outros, perdemos boas oportunidades de encontrar pessoas que seriam verdadeiramente especiais para nossa vida; e sem encontros de amor e amizade, acontece o que dizia Jorge de Lima:
Lord Broken Pottery lança Sobre o telhado das árvores no dia 28 deste mês. Muito sucesso pra ele!
O endereço dele na internet é http://www.broken-pottery.blogspot.com/ (o MT continua negando os ícones de linkagem e formatação, que coisa!)
Vale a pena provar o texto bom de ler e cheio de charme do querido Lord Caco.

"Uma palavra há de ser poética desde que você a coloque em lugar imprevisto, desde que ela dê alarme, desde que ela quebre o muro da velha ordem. É preciso sempre escrever a primeira vez de uma frase. Se possível botar roupa rasgada nas idéias. Toda frase que se faz é preciso gozar nela. E é preciso fazer o serviço com paciência para que o gozo dê frutos."
Manoel de Barros

O texto a seguir é trecho de mensagem de uma afilhada, que viveu um ano na Alemanha, por conta de um programa de intercâmbio, e agora está no Canadá, trabalhando e cursando Relações Internacionais. Alguma dia vou contar pra vocês a história dessa menina bacana.
O que me chamou a atenção foi o otimismo em relação ao Brasil, otimismo que anda abandonando o povo aqui da terrinha. Fico me perguntando se isso será um traço dos brasileiros mais jovens – tomara que sim. Porque o primeiro passo para mudar as coisas é acreditar que elas podem mudar, e isso compete basicamente aos jovens.
A mensagem é parte de um diálogo com um de meus filhos a respeito da prisão do sargento gay, semana passada.
“Preconceito é normal, todo mundo tem (mas deviam trabalhar e evitar). O que não é normal é oprimir o outro. E eu vejo que no Brasil as minorias são bem oprimidas. Pobre, preto e gay no Brasil parece que pediram pra ser maltratados no vale do eco.
Uma coisa que eu acho que brasileiro não percebe - porque nunca teve - é que nós merecemos muito mais. Num país onde educação é um "luxo", não tem como o povo entender que existem coisas além disso que nós merecemos também. A gente acha "normal" político corrupto, claro, pois desde o início só lidamos com corrupção. É difícil imaginar outra realidade. Mais difícil é lutar por ela.
Eu acho que ter um passado de escravidão pesa muito nessa história. Os brasileiros ainda acham que são produtores de faxineira e prostituta. Que tem que trabalhar feito escravos por um salário ridículo que não adianta pra pagar a escola - que deveria ser de graça e boa. Maltratado e enganado pelos outros, mas tem medo de ir à polícia... E tem medo da polícia!!!
Eu concordo que somos passivos e intimidados. Nunca tivemos nenhum programa de desenvolvimento e integração social. E a economia sempre foi essa porcaria instável.
Enquanto a Europa é velha, o Brasil parece um bebezinho, girino ainda... Muitos anos, que poderiam ter sido de desenvolvimento e glória, foram desperdiçados com guerra, ditadura e coisas assim. Mas ainda há tempo! Esse ‘pedacinho de terra’ de podre não tem nada. Tem muita coisa pra oferecer ainda.
E eu acho que nós somos cordiais sim.
Se tivesse pirão pra todo mundo, ninguém estaria pisando no outro por um pouquinho de farinha...”
Contando por alto, um blog sem comentários, tá cheio de historinhas, textos curtos para quem gosta.
O bem, o mal e a coluna do meio está atualizado.
E Inscrições tem poemas novos.

Ennio Pozzi. Mulher cosendo.
A paz do lugar para onde mudara induzia a refletir. Nunca se cansava de acompanhar os vôos dos pássaros e a dança dos galhos e folhas, que lhe pareciam meio mágicos. Na verdade era uma atração desproporcional à singeleza dos acontecimentos. Mas o que mais atiçava sua imaginação era mesmo a vizinhança, famílias que pareciam ter uma vida rotineira, mas de vez em quando davam indícios de que, por trás de tanto sossego, talvez os acontecimentos não fossem tão pacatos quanto o dia-a-dia do lugar.
O filho do senhor do terceiro andar do pequeno prédio vizinho, por exemplo, aparecia de vez em quando, sempre muito tarde da noite, acompanhado de uma mulher muito esbelta, cuja silhueta dava impressão de ser bem mais jovem que ele. Alice, sua própria mulher, classificou laconicamente a moça de “perua engomada”. Curiosamente, o rapaz barbudo e sua acompanhante não entravam no apartamento do pai dele, e sim no apartamento de baixo, ainda vago. O casal entrava discretamente, com muito cuidado para não se deixar ver, e saía horas mais tarde, às vezes pouco antes do amanhecer.
Com sua insônia habitual e uma varanda de vista estratégica, ele acompanhava os movimentos dos dois sem ser visto. Deduziu que na certa o filho do vizinho estava tendo um caso com a moça e não desejava aproximá-la do velho.
— Só não entendo – comentou certa vez com Alice –, é por que não vão a um hotel do Rio, onde moram, em vez de vir para tão longe.
Ela fez sua expressão mais marota.
— Ora, ora, você está mesmo ficando fora de forma – disse. Não te passa pela cabeça que aqui é o lugar onde mora o pai dele, e por isso ele tem um álibi perfeito para ficar indo e vindo a esse lugar? Ninguém pode estranhar, nem mesmo a mulher dele...
Olhou-a com muda admiração. E enquanto a olhava, lembrou muito nitidamente dos anos em que ela visitara a mãe em Arraial do Cabo com admirável assiduidade, chegando às vezes a passar dias em sua companhia, enquanto ele ralava na empresa de transportes que havia herdado do pai. Uma pergunta chegou até seus lábios, mas achou melhor não a articular, e preferiu mudar de assunto.

Hoje lembrei meu primeiro carro – que a gente nunca esquece, principalmente se for um fusca amarelo!
Quando comecei a trabalhar, voltava de ônibus, na hora do rush. Às vezes chegava em casa com o sapato sujo e o pé doendo das pisadas, e duas vezes aconteceu de desembarcar deixando um botão da blusa pra trás. Era uma refrega diária, mais cansativa do que o trabalho na editora, que era bem mais tranqüilo.
Vocês perguntarão por que não esticava numa happy hour e deixava passar o corre-corre. Acontece que tinha um trato com minha ajudante, mãe interina de minhas crianças até as sete horas, quando ela mesma assumia suas funções de mãe de verdade dos filhos lá dela.
Daí que ganhei o inesquecível fusca amarelo-kibon. Tínhamos um inefável passat branco, um pouco idoso mas ainda muito atuante, que às sete da manhã transportava meu marido que, sempre que os horários coincidiam, me levava com ele. Depois da chegada do fusca, porém, a vida ficou mais fácil.
Também não posso esquecer o sucessor – outro fusca, esse laranja conlurb, tinindo de bonito. Depois dele vieram dois chevettes branquinhos e dois voyages, muito mais confortáveis e bonitos, o último dos quais roubado na 19 de fevereiro, em Botafogo, em frente ao estúdio onde meu filho, já com 18 anos, ensaiava sua banda de rock.
A história automotiva da família passou por várias marcas e tipos, maiores à medida que a prole aumentava e as férias exigiam mais espaço na mala.
Hoje fiquei emocionada, vendo uma moça loura dirigindo um fusca amarelo-kibon, e desejei que aquela peça de museu desse muita sorte pra ela também.