
Houve tempo em que se acreditava que a internet ia matar o livro, pondo o texto ao alcance dos olhos sem custos adicionais nem procura pelas livrarias. Isso não aconteceu até agora e, mesmo sem qualquer estatística à mão, arrisco um palpite de que não vai acontecer nunca. São coisas diferentes. Quem gosta de ler vai também à internet procurar textos que não encontra à venda ou se vale de sites de pesquisa para complementar um ensaio ou coisa que o valha. Mas as editoras continuam na ativa e são cada vez mais numerosas; até os sebos, reais e virtuais, falam da permanência do livro impresso – aquele objeto simpático que a gente alinha nas estantes e tem o gostinho de folhear, ler ou reler nas horas em que consegue um pouco de solidão e silêncio propício.
Ler no monitor pode ser bom, mas ter um bom livro nas mãos numa poltrona gostosa, numa rede ou na cama é um privilégio. Sem falar que uma leitura muito demorada na telinha deixa os olhos ardendo, além de provocar sono, talvez uma defesa natural contra a luz forte demais.
Um blog fala instantaneamente com um mundo de pessoas de qualquer lugar do mundo; comenta e é comentado, é lido por gente amiga ou não, leitores habituais ou adventícios, e isso é ótimo para testar o grau de comunicação dos textos e afinar os interesses que levam alguém a escrever. Mas é também um processo fugaz – a vida de um post é muito breve, por melhor que seja. Com raras exceções, ninguém volta no tempo para ler posts antigos; se perdeu, tá perdido. Como diz uma amiga minha, “um blog é um livro que se lê de trás pra frente”.

Ao menos no que tenho podido observar, quem faz um blog de escrita própria e se exercita no ofício, quer na verdade lançar um ou mais livros com seu trabalho. Blog está pra livro assim como show está pra cd ou dvd. Blog tem seu dia de sapo que vira príncipe. A gente não quer só um blog, a gente quer um livro de papel e letras, diria o Tim. Blog é amostra, prova, pontinha do iceberg. Sinal de desejo.
Tenho aqui uma pequena biblioteca de autores blogueiros. De alguns deles tenho resenhas prontas, publicadas no falecido Condomínio Brasil, da Esther Maria, e no Primeira Fonte, da Ana Laura Diniz, que anda fora do ar por motivos técnicos. Essas resenhas vão virar posts aqui no Umbigo, e outras mais virão por aí, porque os blogueiros-autores são muitos e bons. Me aguardem.
Uma revoada de pombas escarlates brada em volta do meu pensamento.
A.Rimbaud

A incrível história do padre que voou e sumiu faz lembrar o velho poema de Alphonsus Gimarães – viu uma lua no céu/viu outra lua no mar.
Outra história incrível – a da menina Isabella – faz de boba toda a esperança que a gente ainda levava na bagagem.
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Ganhei de meu amigo Jens:

Fico feliz de partilhar o selinho com você, Jens.
Brigadinha, beijo pra você.

Kafka por Andy Wharol.
Hoje de manhã, quando descia para o trabalho, vi Kafka de pé num ponto de ônibus. Vestia um terno marrom escuro, paletó aberto, e uma gravata com toques castanho-dourados que lhe caía muito bem, um pouco agitada pelo vento. Olhava o mundo e o trânsito com a mesma cara que a literatura imortalizou, com menos gomalina nos cabelos. E imagino que agora terá tantos motivos de inspiração que talvez desista de escrever, porque a realidade já lhe tomou a frente, tendo-se tornado trivialmente mais kafkiana do que ele.
Amanhã, dia 17 de abril, faz anos nossa amiga Yvonne Dimanche, do Bloggente, que anda em recesso (o blog, não a Yvonne).
Yvonne é uma boa amiga, gente boa toda vida. Desejamos a ela e a toda a família sorte, felicidade e muita saúde.
Beijos de aniversário, querida!
ao som de chet baker comecei a entender
o quanto a vida
pode doer
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Dia 16, quarta-feira próxima, às 17 horas, vai ser lançado o livro Tijuca em Crônicas, que reúne os textos escritos durante a oficina do mesmo nome acontecida no Sesc Tijuca, de março a maio do ano passado. A oficina foi orientada por Flávio Corrêa de Melo, da equipe da revista Bagatelas, que estará na mesa do lançamento junto com o escritor João Paulo Cuenca, a historiadora e estudiosa do Rio, Lili Rose, e a coordenadora do setor de literatura do Sesc, Ana Maria.
Participo do livro com três crônicas.
O endereço é Sobrado Cultural, à rua Gonzaga Bastos, n. 312, na Vila de Noel.
"O que me preocupa não é o grito dos violentos. É o silêncio dos bons."
Martin Luther King

Recebi de uma amiga e gostei do artigo.
Herdeiro improvável de Martin Luther King
Helena Tecedeiro
Aniversário. Quarenta anos após o assassínio de Martin Luther King, Barack Obama é apontado como o herdeiro do líder dos direitos cívicos dos negros. Mas, mesmo que o senador do Illinois chegue à Casa Branca em novembro, parte significativa da comunidade negra continua a viver isolada nos Estados Unidos
Quando o tiro disparado por James Earl Ray atingiu mortalmente Martin Luther King na varanda do motel Lorraine, em Menphis, Tenessee, a 4 de Abril de 1968, Barack Obama tinha seis anos. Acabara de se mudar com a mãe para a Indonésia, terra do padrasto, e freqüentava uma escola islâmica. Mas 40 anos após a morte do pastor, rosto da luta pelos direitos cívicos dos negros americanos, o senador do Illinois é apontado como seu herdeiro. Filho de um queniano e uma americana, Obama não será o típico afro-americano descendente de escravos, mas pode estar prestes a cumprir parte do "sonho" de King se conquistar a Casa Branca.
"Quando vimos 42 afro-americanos no Congresso e Barack Obama a liderar a corrida democrata à Casa Branca, percebemos que é parte da terra prometida por detrás do cimo da montanha", disse Jesse Jackson ao Guardian.
O ativista dos direitos cívicos dos negros estava com King quando este foi baleado em Menphis. E foi ao último discurso do pastor de Atlanta - no qual este dizia ter visto "a terra prometida" da igualdade por detrás da montanha - que Jackson se referiu para manifestar o otimismo em relação à candidatura do senador do Illinois. O homem que tentou a presidência em 1984 e 1988, garante: "Ver homens a votar em Hillary Clinton e brancos a votar em Obama é assistir ao renascimento da América."
Apesar de Jackson ter afirmado que Obama "concorria como se fosse branco" no início da campanha, veio entretanto apoiar o senador que lhe agradeceu ter desbravado o caminho.
Se a visse hoje, Martin Luther King teria dificuldade em reconhecer a América negra. Além de Obama poder chegar à presidência, há negros à frente de dois estados (Deval Patrick no Massachusetts e David Patterson em Nova Iorque) e de algumas das maiores cidade dos EUA, como Washington, Filadélfia ou Atlanta. Um feito se tivermos em conta que o primeiro mayor negro foi eleito em 1967 e apenas possível graças à luta de King.
O Nobel da Paz 1964 ganhou visibilidade ao liderar o boicote aos autocarros de Montgomery, a cidade do Alabama onde ministrava em 1955 quando a costureira Rosa Parks recusou dar o lugar a um branco. Mais de um ano de protesto levou o Supremo Tribunal a declarar inconstitucional a segregação nos autocarros. Uma vitória que lançou o pastor para a frente do movimento pelos direitos cívicos, que liderou com base na não-violência. Em 1963, King disse às 250 mil pessoas reunidas em Washington: "Tenho o sonho que um dia os meus filhos vivam num país que os julgue pelo carácter e não pela cor da pele."
Uma mensagem de união que ecoou no discurso que Obama proferiu há dias sobre raça. Pressionado devido às declarações do seu pastor, o senador garantiu: "Não sou ingênuo ao ponto de acreditar que uma eleição acabará com as divisões raciais. Mas, se trabalharmos juntos, podemos ultrapassar as feridas do racismo". E os americanos estão com ele. A começar pelos brancos. Uma sondagem CNN revelou que 72% acreditam que os EUA estão prontos para um presidente negro, contra 61% dos negros.
A igualdade, essa, ainda está longe. Igualdade com os brancos e entre negros. Se os direitos adquiridos desde a morte de King abriram as portas da política aos negros e ajudaram uma classe média educada a subir na vida, houve uma camada da América negra que foi deixada à margem do progresso e da lei.
Um quarto dos 40 milhões de negros americanos são pobres (comparado com 12,6% do total da população). Em cidades como Los Angeles, Nova Iorque ou Chicago, bairros de maioria negra degradaram-se. Drogas, desemprego e violência entre gangues fazem parte do dia-a-dia. Educados neste ambiente, sete em cada dez negros deixam a escola antes de terminarem o secundário. Quando foi assassinado, King acabara precisamente de discursar sobre disparidades económicas; um problema que dominou os últimos anos da sua luta.
No DN de Portugal.
Para Charles Steele, o presidente da Conferência da Liderança Cristã do Sul, criada por King em 1957, "a América ainda é racista. Está enraizado no sistema". E ressurge. Como aconteceu em Jena, a cidade da Luisiana onde um aluno negro foi julgado por tentativa de assassínio após envolver-se numa luta com um colega branco. A tensão racial no liceu de Jena subira após terem aparecido três cordas penduradas na árvore do pátio - símbolo usado pelos supremacistas brancos do Ku Klux Klan. O caso levou 20 mil pessoas às ruas, num protesto a recordar que a luta pela igualdade não terminou.
O que você espera do mundo?
O que o mundo espera de você?
O que você espera de você?
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Imagem Gropper. Políticos.
Existe gente mais cínica do que político?
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O que será que aconteceu comigo?
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Contra a taxa do telefone fixo
Vamos dar uma força e apoiar o Projeto de lei de nº 5476, que prevê o cancelamento da taxa do telefone fixo. Ligue para 0800619619, espere o atendente e vote. É direito nosso. Nada justifica essa taxa.

Foto do site Zozia Zija Photography, de Jacek Karaszewski.
E durante a aula de religião em que liam o livro da Gênese, ela percebeu junto com Eva que estava nua e sem a folha de parreira. Impossível destravar a confusão daquele momento, e antes de entender o que se passava percebeu que havia tanto, mas tanto a descobrir que ela seria obrigada a viver refazendo, reconstruindo, recomeçando o que até então lhe parecia indestrutível. Percebeu com grande choque que tinha sido preparada para nunca chegar a lugar nenhum. Olhou a sala, as colegas, o professor, e sorriu. Expulsa do Paraíso, enfim, e começando a viver.
Criações da Aninha Pontes para o inverno que vem aí
Patica Modas
Ana é uma fofa e uma boa amiga.
Veja o selo aí ao lado.
