
Imagem Mark Carter. "Billie Holiday's Strange Fruit", 2002
Quero falar de um livro e de uma pessoa muito queridos.
O livro se chama O Olho do Tempo, e a pessoa é sua autora, a Thelma B. Oliveira, Tekka para os íntimos. Tekka é um desses seres que têm o dom de criar uma intimidade e fazer amigos mesmo à distância – ela em Brasília, os outros espalhados pelos quatro cantos da Terra e do Orkut. Tekka é polivalente. É pediatra, escritora, cronista de mão cheia, estudiosa de poesia de língua inglesa, literatura em geral, blogueira do Strange Fruit – inspirado em Billie (que você pode ver em www.youtube.com/watch?v=h4ZyuULy9zs), colaboradora de primeira hora do Focando – isso tudo, que eu saiba. Além dessa vida pública, ela é mãe do tipo dedicado, adora a família, e quando gosta de alguém, gosta pra valer. E como acontece de ela gostar das pessoas com rara generosidade, faz pencas de amigos fiéis e admiradores de carteirinha por onde quer que passe.
Pois esta mulher ímpar reuniu as crônicas que tem preparado para o Focando semana após semana, sem falha e com brilhantismo, e agora publicou-as no citado livro. Entre essas crônicas, como não seria possível destacar todas ao mesmo tempo, chamo a atenção para "F de Fake", sobre um assunto que interessa a todo escritor e/ou internauta dotado de senso de ética. Mas Tekka vai além desse enfoque, e aproveita para comentar até os heterônimos de Pessoa, embasada nos estudos de Leyla Perrone Moisés. Fala ainda de Clarice, Dostoiévski, Oscar Wilde, Borges, Cecília Meireles, Lévinas, citado pela teóloga Maria Clara Bingemer – e não pára nisso - porque levanta a questão maior do Outro na vida de cada um. E disso ela entende.
Outra crônica incrível é "Festa no Muquém", de linguagem que lembra Guimarães Rosa, traçando com grande sensibilidade e toques de humor uma personagem do povo e seus dilemas.
Mas há mais, é claro, muito mais. Eu disse que Tekka é generosa, nunca deixa a desejar. Só mesmo lendo toda semana, quando ela está lá no Focando, arrastando dezenas de leitores viciados em Tekka. Você também pode ser um.
Estou no Âncoras & Asas da Ana Luísa Kaminski, vou participar do Diversos Afins do Fabrício Brandão e tenho cá uns projetinhos que depois eu conto.

Amores de pessoas que vêm aqui, obrigada mesmo pela presença, pelos comentários e pelo carinho.
Vou dar uma voada até Ouro Preto, pra assistir ao Fórum de Letras. Dia 10 de novembro a gente se encontra de novo. Beijos.

Foto Thomas Farkas.
Enrolou um absorvente num lenço de papel e pôs na bolsa.
Foi ao banco, tirou dinheiro da caixa automática e enrolou em outro lenço de papel antes de guardar. Dez passos depois alguém lhe encostou uma coisa dura na costela e uma voz mandou entregar o dinheiro. Ela nem olhou pra trás: abriu a bolsa e tirou um embrulhinho branco.
O assaltante fugiu e ela entrou num táxi com as pernas tremendo. Só então percebeu que sem querer tinha entregue o pacote certo (para ela) e errado (para ele). Tudo é muito relativo.
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Morava no décimo segundo andar e sonhou que estava pulando da janela. Era sonâmbulo.
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Tamanho não é documento. Mas ninguém quer um poodle miniatura mordendo o dedão.
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Assimilou bem demais a boa educação que lhe deram. Agora é uma leoa que não consegue sair da jaula. Nem com a porta aberta.
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Aos cinco achava o pai um herói, aos dez um grande homem; aos quinze um coroa boa-praça, aos vinte, um reaça. Aos trinta entendeu-o melhor, e com mais dez anos virou o melhor amigo. No dia em que o velho morreu, levou um bruto susto ao vê-lo no espelho.
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Tinha bebido tanto que não soube explicar como acordou em cima do ombro do Cristo Redentor de pareô e colar de havaiana, mas lembrava perfeitamente o nome do dragão que o transportou.
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Deixou uma água no fogo e foi ler. Da casa só restou um pedaço de janela.
Brincadeira
Proposta pela querida Sue, do Asa de Borboleta:
1ª Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);
2ª Abra-o na página 161;
3ª Procurar a 5ª frase completa;
4ª Postar essa frase em seu blog;
5ª Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;
6ª Repassar para outros 5 blogs.
Minha frase é de Trilogia de Nova York, de Paul Auster, que está na prateleira à minha frente:
“Sem saber que outra coisa fazer, recorta a fotografia da revista e coloca-a na parede, acima da cama.”
Uma curiosidade: a brincadeira consiste só nisso ou vai haver uma segunda etapa, com o inventor juntando as frases todas num mosaico? Pode ser legal fazer isso :o)
Agora, quanto aos cinco blogs, Sue, não fique zangada comigo, mas... Há quem goste, mas também há quem se recuse e até fique meio chateado. Então, prefiro que as pessoas que gostarem da brincadeira tomem a iniciativa, indicando ou não outros blogs. Tá bom assim?
Márcia Maia premiada em Manaus
Em sua segunda edição, os Prêmios Literários Cidade de Manaus, concurso nacional promovido pelo Conselho Municipal de Cultura, premiou 16 categorias, e entre os vencedores está minha querida Márcia Maia, vencedora em Poesia, com o livro Cotidiana e Virtual Geometria. Márcia competiu com mais de 80 concorrentes na categoria poesia – e ganhou!
Parabéns, menina!
No princípio eram as férias de julho, que duravam um mês inteirinho pra gente se divertir, esquecer as obrigações de todo dia e aproveitar as festas que sobravam de junho. Agora muitas escolas tiram de uma a duas semanas do mês, o que é pouco pra quem deu duro desde fevereiro. Vão dizer que as horas de aula aumentaram, que é preciso cumprir o programa, que tantas férias são dispensáveis. Tudo bem, não vamos discutir isso. Dizer que é bom ficar de férias não significa ignorar ou negar as necessidades do ensino. Estou só contando o quanto era bom. As férias de fim de ano também encolheram um mês – iam do final de novembro ou início de dezembro a março, três meses cravados. Pode ser que houvesse perda de tempo, que fosse um exagero, mas particularmente posso dizer que a gente torcia muito para chegar o dia.
As férias pra mim sempre foram como a luz para a natureza. Pouco antes delas, já não dava conta dos deveres escolares com muita facilidade. Talvez porque eu fosse mais nerd do que devia, talvez porque levasse as coisas muito a sério. Mas entrar de férias para mim era a melhor de todas as festas. Não sei exatamente dizer por quê, mas acredito que, mais que os passeios, as praias, as horas de sono a mais e o cinema durante a semana, a delícia das férias estava na sensação de liberdade, de não ter um professor cobrando trabalhos ou a obrigação de vestir um uniforme que eu detestava e aturar inspetores mandando entrar na fila, sair da fila, subir pra sala ou ficar calada.
Talvez isso se deva também a um temperamento meio desorganizado que, mesmo depois de grande, nunca me permitiu ser capaz de repetir a mesma rotina todos os dias da semana. Quando comecei a trabalhar, ainda que houvesse horários a cumprir e funções determinadas, não me lembro de ter vivido um dia igual ao outro. A disposição mudava, as tarefas tinham um peso ou uma ordem diferente. Tive a sorte de conviver com gente criativa, e até mesmo a arrumação de minha sala podia mudar de vez em quando. E quando dei o azar de esbarrar com um nazi-fascista autoritário com vocação para tirano, dei um jeito de mudar de setor e me ver livre dele. Ganhei muito mais trabalho, mas também amigos que nunca mais perdi de vista e algumas experiências inesquecíveis.
Nem sei por que estou contando tudo isso. Acho que é porque hoje, como me acontece com freqüência, acordei de férias.

Oliver Bresseisen. Aleksandra e Pica.
Eu sei, é uma sede de aproveitar o que resta, enquanto resta. É também uma compensação pelas frustrações freqüentes que o mundo impõe e que a gente não pode recusar, porque fazem parte das regras do jogo. É também uma raiva por não saber impor frustrações a ninguém. Por que sou tão estupidamente boazinha?
O mundo prossegue aparentemente o mesmo, as pessoas também, mas o verão é a mais cruel das estações. É mais fácil ser isento no outono, no inverno, no começo da primavera. Depois o sol põe todos os segredos para fora, na rua. O sol do verão serve um mundo-bife, sangrento, cru e suando muito.

Por que o signo do desencontro se instala em alguns dias sem que nenhum horóscopo seja capaz de prevê-lo?

O mundo não é o mesmo a cada aurora.
Com esse verso começa o poema que vai entrar no Inscrições hoje à noite.
Hoje é dia de postagem sobre o meio-ambiente, sobre o que se está fazendo para melhorar as condições de nosso planeta e a qualidade de vida por aqui.
É um belo movimento, merece todo apoio e adesão.
Solidário com esse projeto, O bem, o mal e a coluna do meio deixa na rede um texto sobre a água, esse elemento ameaçado que clama por cuidado e bom uso. Tamos lá!
Dia 17, quarta-feira próxima, às 18h30min, a professora Amélia Pais lança seu novo livro, Fernando Pessoa, o menino de sua mãe, em Lisboa. Uma boa amiga virtual, dona de extensos saberes sobre literatura, especializada em Camões e Pessoa, Amélia merece todo o sucesso que certamente terá nesse dia. Vale a pena conferir o blog que ela mantém, Ao longe os barcos de flores. Tenho pena de não poder estar presente.

O Lino Resende, amigo que gosta de promover saudáveis blogagens coletivas, dessa vez propõe o tema da Paz para dia 1 de novembro. Deixa à disposição de quem topar a proposta três selos de diferentes tamanhos em seu blog.

A imagem é deste site.
Os sonhos andam bem mais raros nas noites de agora.
Pode ser que motivada por alguma novidade intrapsíquica (uia!), saí sonhando a noite passada. Foi confuso. Mas mesmo assim vou tentar descrever.
Havia uma festa na minha casa antiga, de onde mudei ano passado. Tudo acontecia na parte coberta do terraço, enquanto eu tomava sol no lado descoberto. Mais ou menos como o presidente, estava lá mas não via nada. Das pessoas presentes, só via uma amiga que estava toda de branco, e parecia feliz da vida. Não sei por que, ela aparecia de vez em quando na porta da sala, só pra me lançar um sorriso, e sumia de novo.
Lá pelas tantas eu me via dentro da sala da festa. Havia pouca gente, menos do que eu imaginava. Mas minha amiga continuava sorridente e o clima era de alegria.
De repente saía de trás de uma poltrona um cachorro que ninguém sabia estar ali; só vi o traseiro, pêlo curto, marrom e cotó, tipo doberman. Ele se esgueirou pela porta e sumiu, para alívio geral.
A festa porém continuou, e quando as pessoas quase haviam esquecido o incidente, eis que aparece outro cachorro, esse muito engraçado – parecia um pointer pelas malhas e pelo formato do focinho, mas o corpo era de um bassê gordo e gigante. Tinha um ar manso e meio maroto, mas logo fugiu também.
A festa continuou do mesmo jeito, e todo mundo fazia comentários bem-humorados sobre o segundo cão. Mas tinha ficado no ar um certo susto, ainda por conta do primeiro cachorro.
O sonho parece falar de alguma ameaça. Não é surpresa, a gente vive mesmo bem ameaçada nestes tempos de violência. Na minha cabeça, o primeiro cachorro se associa ao capitão truculento de Tropa de elite, ele mesmo uma espécie de símbolo dos tempos. O segundo me fez pensar no humor carioca, que faz piada de qualquer tragédia.
Já uma amiga a quem contei o estranho sonho achou que a roupa branca era sinal de paz, que cachorro que não morde é amigo e que tudo falava de serenidade nesse sonho.
Sei não. Acho que tinha uma nota de certa alegria, um bem-estar. Mas o doberman...
Ganhei do Marco, do Antigas Ternuras:

O Marco já está virando uma antiga ternura aqui pro Umbigo...
Obrigada, querido! Beijos pra você.
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Enquanto isso, neste site...
Veja que proposta legal!

Foto de O Globo.
“Olá!
Sabe o que se passa atualmente em Mianmar (antiga Birmânia)?
Esse país é governado por uma ditadura militar das mais brutais. Esta semana, os bonzos e religiosos do país organizaram uma grande marcha pela democracia. A população compareceu em peso para mostrar seu apoio. Ainda que os bonzos tenham sido violentamente agredidos pelo regime militar, os protestos continuaram.
Acabo de assinar uma petição à China e ao conselho de segurança da ONU, para que pressionem os líderes de Mianmar a pararem o massacre. A petição reuniu cerca de 500.000 assinaturas em alguns dias! Será brevemente publicada nos jornais de todo o mundo e remetida pessoalmente ao secretário-geral da ONU. Isso dará o que falar às rádios que o povo birmanês costuma escutar. Tentamos reunir 1 milhão de assinaturas esta semana: assine também a petição e divulgue-a, fale dela a todos que puder.
http://www.avaaz.org/fr/stand_with_burma/tf.php?cl_tf_sign=1
Obrigado por apoiar esse movimento!”
Recebi oito mensagens sobre o assunto.
Nem era preciso, a mídia tem noticiado mais esse abuso de poder e suas tristes conseqüências. Assinei a petição na segunda-feira, logo que recebi a primeira mensagem.
É hora de todo mundo meter o nariz onde é chamado, porque esse assunto interessa a todos. Estamos em tempo de globalização, e com isso as paredes entre nossos apartamentos neste planeta se tornaram muito finas e deixam passar tudo que acontece com os vizinhos, próximos ou distantes.
Opressão e abuso de poder é assunto que interessa a todos os povos e a cada um de nós. Chega de tiranos, óbvios ou disfarçados.
Quem sabe você, eu e nossos vizinhos não somos bem capazes de ajudar a tornar este mundo um cadinho mais justo? Isso não deixa seu coração mais quentinho e mais contente?
Se o mundo se unir contra os ditadores, pretendentes e titulares, é possível que estejamos ajudando a virar uma página negra da história. Essas coisas demoram a acontecer, mas se a pressão for pra valer, um dia acontecem. Mesmo que seja para uma geração distante, vai valer a pena.

Encerrado enfim o rumoroso episódio do plágio de um dos posts do Marconi Leal, praticado por ninguém menos que Fausto Wolff, jornalista com uma estrada pra ninguém botar defeito e uma obra digna de admiração. Nem falei do assunto enquanto as coisas corriam pela raia do litígio. Marconi é um menino crescido, sabe se defender direitinho e é uma pessoa sensível. Reagiu do jeito certo, fez tudo a que tinha direito sem incorrer em qualquer tipo de grosseria nem perder a pose.
Teve também grandeza suficiente pra não se deixar influenciar pelos pitnautas de plantão. Em vez de aproveitar pra massacrar o outro, que estava em desvantagem, simplesmente fez valer seu direito com invejável elegância e nem mesmo recorreu à justiça. Ganhou a parada e as devidas desculpas e fechou o assunto.
Gosto muito de gente assim. Qualquer um de nós pode dar uma mancada. Não faltam motivos pra isso pela vida afora.
Não sabemos exatamente os motivos que levaram um cara da elevada estatura (literalmente falando) do Lobo a agir daquele jeito, e não podemos aplaudi-lo dessa vez. Wolff tem crédito, no entanto. Tem a estima de gente da melhor qualidade. E se errou, imagino que deve ter tido alguma razão e um diabinho poderoso que o empurrou num momento de fraqueza.

Cinco de outubro é dia de dar presente em dobro!
Parabéns, Amélia!
Parabéns, Nanda!


Dizemos que um sapato é desconfortável quando machuca o pé ou não nos dá segurança no andar. Do mesmo modo, uma roupa nos deixa irritados quando incomoda – uma gola, a manga mal colocada, um cós muito apertado. É desconfortável dormir numa cama dura ou macia demais, sentar num sofá demasiado fundo, numa cadeira muito estreita. Frio ou calor em excesso nos deixam indispostos. Carne muito dura, comida salgada ou insossa, água morna, frutas ácidas demais – tudo isso traz desconforto ao corpo.
Não vamos falar das piores coisas, como a depressão ou a tristeza extrema por uma perda, uma doença que cause grande mal-estar ou uma dor física.
Mas há outros desconfortos. Alguns muito sutis, como aquele instante em que de repente, sem causa aparente, o mundo nos parece um saco, tudo fica sem graça e até fisicamente a gente se sente mal dentro da roupa sem motivo. É em geral passageiro, felizmente, mas desce não se sabe de onde nem como. É como se subitamente a gente ficasse deprê, de mal com a vida, incômoda para si mesma. Acontece e passa, deixando um certo tédio.
Desconfortos inconfessáveis podem estragar bons momentos: um absorvente que se descolou de seu devido lugar quando não há toalete à vista; um botão estratégico que deserta de sua casa e se perde, ou uma costura vital que se desfaz e oferece à apreciação pública alguma parte indiscreta da anatomia.
Há também pessoas inconfortáveis. Essas nem sempre são unanimidades, embora quase sempre afetem mais de um amigo ou conhecido. Pior ainda quando é parente, porque nesse caso quase nunca há saída senão aturá-lo(a) de boa cara.
O inconfortável é um ser pouco acolhedor. Pode chegar a ser mesquinho, francamente chato ou apenas meio canguinha. Não falo de generosidades materiais, mas de uma certa generosidade afetiva, necessária ao bom relacionamento como o lubrificante ao bom funcionamento da máquina. Sua sovinice emocional pode ir da arrogância que fulmina o próximo até aquele olhar crítico que te atinge no exato momento em que você mais gostaria de um gesto solidário. É o(a) cara que ironiza teu carro novo quando você está mais eufórico. Ele(a) inveja, deprecia, faz alusões incômodas ou indiscretas. Ele não gosta de ver o outro feliz. Não alivia. Não cede o lugar. É o primeiro a correr para a mesa e atravanca o acesso dos outros em seu direito à comida. Não segura o elevador quando você vem chegando afobado.
O inconfortável assume diferentes graus, e o convívio com tais seres – do mais sutil ao acachapante – é duro de aturar. Melhor o sapato apertado.