
Elliot Erwitt. Coneyisland.
submissa ao céu azul
a tarde frutifica em
vôos ao vento
e errante em seus pensamentos inconclusos
justifica nossas asas
a alguma praia distante
e momentânea
Nossa querida Loba me incluiu em seu site Palimpnóia - que quer dizer palimpsesto + paranóia, nome absolutamente apropriado para um site de literatura. Amei.

H. Matisse. Mulher lendo.
contorno o poema que jaz sem as raízes
só palavra
em letras de papel
espero que desperte
como um menino quando ainda é cedo
e a mãe tem pena de cortar seu sono
espero a cor da vida
o lenitivo da palavra acesa
resisto ao que não faz sombra
e desconfio do poema seco
do que não sofre
e ignora a carícia
não ri nem contamina
e nunca chora
contorno toda suplência das palavras
que não sangram
entendo tua infinita paciência
enquanto aqui a lapidar
as frases
espero que se esgote
essa grandeza vazia do poema
que ainda não viveu
No Focando, alguém no Fundo do poço
***
Um blog da Galizia, o Incomunidade, vale uma visita. Último post, Piscicanálise - um achado.
***
Sabe aquele sobrado de onde foi proclamada a República, na esquina do Campo de Sant'Ana com Presidente Vargas? No Bandeira 1, meditações do marechal Deodoro.
que futuro
o horizonte apaga
quando se esvai em neblina?

No Focando, doces arcanjos esperam por você. Pode ir, mesmo que esteja de regime ;O)

Foto Antonio Vazquez. Gárgula da catedral de Chartres.
Desde que o primeiro troglodita percebeu que tudo tem fim, inclusive seus semelhantes e ele mesmo, a idéia da morte tem assombrado a humanidade. Talvez esse primeiro homem, quando lhe caiu a ficha, não tivesse ainda uma noção clara do que estava descobrindo, dos desdobramentos e do mistério que cerca tudo que diz respeito ao fim da vida. Talvez nem nós tenhamos essa noção clara, tendo em vista que as religiões que prosperam mundo afora e que toda a problemática humana tem a ver com o fato de que somos finitos, o que tem levado a excessos, na busca desenfreada de aproveitar a vida, com graves prejuízos para a mesma. Ou ao contrário, ao oposto – ascese, abstenção, negação do corpo – que confirma a presença dessa sentença inapelável e seus efeitos sobre nosso comportamento.
Entre os humanos, quem costuma ter a idéia da morte mais presente são os muito jovens, adolescentes, que hoje expressam essa realidade na música, nos trajes, nos costumes de tantas tribos e até, em alguns casos, num certo culto do suicídio. Ou então os muito mais velhos, de idade ou de espírito, que no passado recente também tinham lá suas seitas (algumas ainda atuantes, embora decadentes) ou adotavam visões de mundo milenares e esotéricas. Tudo influência da indesejada das gentes, que com a idade fica naturalmente mais próxima.
O soneto aí embaixo foi feito numa dessas fases, ainda na adolescência, dezesseis ou dezessete anos, quando passei por um discreto surto desse tipo, junto com um grupinho esquálido que lia e pesquisava tudo sobre o assunto.
Esfinge
Sigo ao encontro da noite mais escura
sigo ao encontro de tudo que não sei
e nem sei mesmo se chego ou me desfaço
antes que se abra o portal que imaginei.
Sem outro jeito sigo sempre em frente
deixando interrompido o que se afasta
deixando para trás sem um lamento
tudo que tenho e sou, tudo que passa.
Caminho pelo dia e entro na noite
que é como um sonho manso, mas sem volta:
nem penso se a coragem enfim me falta.
Desse aposento escuro que me espera
nada mais sei do que o que me disseram
mas ninguém dele sabe o que não sei.
Eliane Stoducto, essa flor de pessoa gostável, levou para o Letra de Corpo o poeminha Cidade. Vai ver, vai, ficou uma graça. Beijo estalado pra você, Li querida.
***
Dia 5 deste mês, aniversário das amigas Nanda, do divertido Idade da Pedra, e Amélia Pais, do blog literário Ao longe os barcos de flores - coisa finíssima. Parabéns pras duas, muita alegria e realizações mil.
***
Mônica, do Crônicas de Mônica, lançou junto com Flávia Oliva o Contradições, um livro que certamente não dá pra perder. Sucesso, amiga Mônica, que vocês bem merecem.

lagarta
mas se enfeita
:
tece seus fios
de inferno e paraíso
na véspera do vôo
O que será que vem por aí?
Não somos assim tão infelizes com nossos políticos.
Eles se dividem em corruptos primários - semi-analfabetos, estúpidos e boçais, alguns SB (sem banho), e corruptos com Ph.DR (doutores em roubo), pessoas distintas, estudadas, finas e poliglotas. Temos escolha!