
cada desejo invoca
seus augúrios
e persistente
amadurece o futuro
nas dobras do presente
Dia 31 de julho – Aniversário da Sílvia Chueire, amiga, poeta, pessoa linda que ela é.
Tudo, mas tudo de bom pra você, Sílvia!

Dia 30, os poetas estão em festa pelo centenário de nascimento do bem-amado Mário Quintana.
Vale uma visita ao Literatus, que traz um belo post com textos dele e sobre ele.

Foto Agnaldo Ramos.
Taí o mundo, um jogo armado na mídia: vilões, mocinhos, princesas, bandidos, vítimas e algozes ficam nítidos e fáceis de entender, peças de game, todas com papéis definidos e objetivos simplificados. E as notícias pungentes das manchetes ganham um tom palatável, se as lermos numa boa poltrona.
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Ser livre para mudar de idéia. Precisamos suspeitar das certezas que nos atormentam e nos afastam das pessoas. Não são certezas, são restos – melhor jogar fora.
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Não analisamos as convicções pré-fabricadas – e no entanto elas são como um remédio, que é preciso agitar antes de usar, ver se está no prazo de validade e ter certeza de que é o mais indicado.
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Amor e ódio são como dois rios que nascem juntos e correm muito próximos durante a maior parte de seus cursos; por serem líquidos, qualquer chuva forte ou movimento mais brusco faz com que suas águas se misturem.
Dia 22 foi o aniversário da Claudia Letti. Ela está no Cidades Crônicas com um belíssimo texto sobre o Rio de Janeiro. Parabéns triplos, Claudia!

começo e fim
tocam-se em curva
as pontas de outro dia
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trama
às vezes o chão da noite seca o sono
e a madrugada joga sua trama
apreensiva
de nuvens e abandono
por sobre o mundo
que deita em nossa cama
***
desjejum
quero que o dia comece
cor de café com leite em sua xícara
de louça azul delírio
debaixo de nossos olhos complacentes
o pão debica seu naco de sol
na crosta quente
***
rotina
o quadro azul de picasso
de onde nos olha o menino com sua pomba
e essa almofada branca onde repousas
logo depois do jantar
falam de ti mudamente nesta sala
o espelho paciente que nos mostra
o quarto, a colcha clara, o corredor
e as flores na jardineira da varanda
são testemunhas do quente coração
que expectante se guarda para ti

Um bom detetive é a concessão à esperança numa história policial. Sem esse personagem, tudo se reduziria a pura crueldade. Deve ser por isso que Hercule Poirot, Sherlock Holmes, Maigret, Mandrake, Espinosa e assemelhados são queridos em todos os tempos.
Já em certas novelas da grôbo os detetives e as pessoas de bom caráter são meio bobinhos ou definitivamente muito chatos, e os malíssimas* se dão bem e ferram com a esperança, a qual deve estar se sentindo um lixo e já deixou de ser verdinha pra ficar cor de ratazana gorda.
Com esse mesmo objetivo – se dar bem e ferrar com o resto – nossos deputados, senadores e ministros (parando aqui, em respeito ao hierarca top) trabalham incessantemente nos três dias úteis de suas excelentíssimas semanas. Em outros dias também, só que debaixo dos panos.
Precisamos urgente de um detetive master, bom caráter e que acredite que a vida não é só isso que se vê brilhar dentro do cofre. Integridade faz bem, tem cheiro bom e não engorda, mas canalhice dá câncer, seborréia e mau hálito.
*Copirráitis da Fal Vitiello.
Papo de botequim tem historinha.

voando a bordo do vento
alçam vida provisória
papéis alados
notícias, ilusões e
garantias
cartas rasgadas e folhas
intenções e regalias
voam véus
cortinas
sonhos
e aves tontas na vidraça
no chão
revoltas e expostas
raízes de nosso alento
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No Condomínio Brasil, a Feira do Autor fala de Guimarães Rosa e de outro Roza, esse com z.

Devia estar contente na companhia de um cara descolado e alegre. Mas estava de repente insatisfeita, vendo nos olhos dele mais curiosidade do que ternura.
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O dinheiro é o lado funcional, burocrático, legal e inevitável das coisas. O dinheiro muitas vezes é o dado irrefutável, o indiscutível, o paredão onde se esfacelam os argumentos; ou a remissão para as fomes do corpo e do espírito. Um pacificador de rebeliões, uma resposta a todas as reivindicações e ao mesmo tempo um instigador, açulando ou ameaçando tanto pela falta como pela presença esmagadora.
O dinheiro pode ser afinal uma expressão corrente da morte, porque acontece de a morte sempre se alimentar da vida.
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A casa, extensão do corpo, sem prescrições nem moral da história, por favor: só a vida, uma alegria sem tropeços nem badulaques, e o amor. Mais que suficiente.
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Agora havia tempo para tudo e ninguém lhe desarrumaria a casa. Tinha afinal alcançado a perfeição sonhada durante todos aqueles anos. E as lágrimas lhe desenharam linhas sinuosas e negras rosto abaixo.
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Depois de frios, os problemas do cotidiano costumam dar boas piadas. Mas quando não for possível deixar de brigar, se a adrenalina transbordar e invadir o sangue como fogo, brigue pra valer. Sem agressão física, bem entendido, mas com raiva explícita e atuante, valendo até quebra-quebras. Ao contrário do que possam alguns imaginar, tais crises podem funcionar como poderoso afrodisíaco.

Bandeira 1 – Yes, nós temos futebol – Melhor que não ter (leia)
Segunda-feira, dia 3, no Focando, Qualquer semelhança é mera pobreza. Vai lá conferir que o jornal da foquinha vale a pena.
Papo de Botequim, um blog 100% carioca, tá cheio de coisas boas de ler. Você já foi lá? Então volta que vale a pena.