
se sou feliz
dispenso o calendário
: caso precise
reinvento maio
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Maio é sempre bem-vindo, acho que por causa do outono que se confirma, e neste ano em particular trouxe um friozinho que surpreendeu os cariocas, pouco acostumados a ter que tirar os casacos do armário. Maio é sempre um mês bonito. Lembro dos tempos de escola, quando me surpreendia com os tons do céu da tarde e das folhas de amendoeira em minha rua.
Aqui no Rio, as praias de outono para mim são as mais gostosas do ano, porque o sol é quente e luminoso sem agredir a gente, como tantas vezes acontece no verão. O ar fica mais transparente, o calor é suportável e a pele se colore das cores da estação. O Rio que trago no coração é o Rio com as cores de maio.
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O Condomínio Brasil está de endereço novo: www.condominiobrasil.net
Vale conferir.
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Antologia blogueira
Venha ler a gente!
A Euza – Loba para os íntimos – está promovendo a edição de um livro reunindo textos e poemas de blogueiros amigos. O livro promete, pois os autores são gente boa de letras. Também estou participando da antologia com que ela comemora os dois anos completos do blog.
Nossa amiga acredita que “não há nada mais gratificante do que ver um pedacinho de cada um na construção do todo”. A idéia é bem legal, e agora chegamos ao momento de tornar realizável esse sonho. Estamos com 50 exemplares que precisarão ser vendidos para cobrir os custos, por isso estamos fazendo vendas antecipadas por um valor bem menor.
Se você quer adquirir o livro, entre no rol dos leitores que já fizeram sua pré-aquisição. Você pode garantir seu(s) exemplar(es) ao custo de R$ 16,00 por unidade (R$ 12,00 + R$ 4,00 da postagem).
O depósito pode ser feito em nome de
Euza Procópio Noronha
Banco Itaú
Agência 1463
Conta-poupança: 48163-8/500
O recibo desse depósito deverá ser enviado à Euza por e-mail – lobamulher@uol.com.br – ou via correios logo após ser efetivado.
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Mesmo com algum atraso, quero registrar duas notinhas:
* a primeira, sobre a amiga Nanda, que está comemorando o aniversário do simpático e bem-humorado Idade da Pedra. Parabéns, Nanda, muito sucesso e longa vida para o IP!
* a segunda notinha é um agradecimento a todos os amigos que desejaram bom astral na casa nova: depois desse primeiro mês, posso confirmar que os votos de vocês deram certo e que já conseguimos pôr a casa em ordem. Muito obrigada a todo mundo, queridos. Nini também agradece, inteiramente ambientada e feliz da vida. Beijos contentes.
René Magritte. Os valores pessoais.
Catarse é uma palavra forte e rude como uma grande camponesa de mãos quadradas e grossas. Também como a camponesa, tem um veio de consolação e a suavidade da poesia.
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Uma verdade desencarnada e invisível não passa de um vazio.
A verdade de certas pessoas no entanto ressuma dos poros como uma espécie de luz que não se pode ver a olho nu. A verdade só pode ser percebida a coração nu.
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Riqueza é uma palavra de largo espectro, mas não é ambígua. Sempre que se fala em riqueza, fala-se de alguma coisa estimável, que tem um valor por si mesma. Minha avó, por exemplo, chamava a mim e aos outros três netos suas riquezas. Meu pai achava o Rio uma riqueza e se extasiava diante dos recortes e das montanhas de nossa cidade. Mais tarde tive um chefe, um economista que ficou mais ou menos famoso, que adorava dizer essa palavra. Era como se saboreasse uma trufa de chocolate ou um daqueles doces de casamento que só de lembrar dão água na boca. Mas sempre se referia às riquezas materiais, todas traduzíveis em dinheiro.
Aprendi com meu amor que as riquezas que se consegue obter nesta vida, sejam elas de que tipo forem, devem ser cuidadas com o carinho que se dedica a um presente dado por alguém importante para nós. É o jeito mais bonito e mais doce de fruir as coisas boas sem a cobiça, que desfigura a alegria e enfeia a riqueza, nem aquele apego de dono que deixa as pessoas ranzinzas.
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Platão foi um estudante de direito que conheci há muitos anos. Platão Fagundes da Silva era o nome todo dele. Tinha uma cara hirsuta, o coração ameno e estava noivo-de-aliança-no-dedo. Na época, isso era um pouco misterioso para mim, porque não conseguia ver claro a diferença entre namoro e noivado, nem por que este estado devia obrigatoriamente preceder o casamento. Platão no entanto definia uma imagem de noivo que era como uma das idéias puras do outro Platão, o da Grécia antiga. Um bom rapaz, a quem devo essa pequena pacificação sobre o que seria o noivado.
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Viagem

Vindo de Creta
ao sul do mar Egeu
atravessa as Cíclades
de Tera a Paros
de Mikonos a Delos
de Ceos a Egina.
Depois
tenta esquecer.

Foto José Bassit.
Sob o título “Qual foi o acordo em São Paulo?”, a coluna de Fausto Wolff de hoje, 18 de maio, diz exatamente tudo que sempre pensei sobre a natureza de violência e da marginalidade. É um conceito – ou vários – que não se aplica somente à cidade de São Paulo, que está agora na berlinda da mídia daqui e lá de fora. Acredito que seja uma visão estrutural do crime organizado, oficial ou não, e seus tentáculos que se espalham por toda parte.
Também concordo quando Wolff diz que não há muita esperança para o Brasil. As coisas parece que foram longe demais e não vejo gente com algum poder e capaz de resolver o problema. Nem mesmo o pequeno grupo remanescente de políticos e homens públicos ainda respeitáveis parece apto a dar jeito. Crime é feito praga de planta: se ninguém levar a sério sua repressão nem se criarem condições de longo prazo para enfraquecer as razões que levam as pessoas a se corromperem e prostituírem do jeito que nossos representantes legais, seus assessores e apaniguados, além das assim denominadas forças de segurança de fato se prostituíram, não vai haver milagre que dê jeito.
Breve seremos – se já não somos! – uma sociedade definitivamente governada por criminosos, porque as pessoas ainda não corrompidas nem praticantes de crimes, sem dúvida a maioria da população, se recolhe por medo até de sair no fim de semana e tenta garantir alguma paz dentro de casa mesmo. Claro que essas pessoas não vão se meter a desafiar e contrariar a vontade de bandidos armados e mancomunados com gente poderosa e ainda mais criminosa do que eles.
Por conta da tradicional deficiência da educação nacional, grande parte de nosso povo adota critérios distorcidos para escolher seus candidatos, acredita que é normal aceitar “lembranças” ou uma graninha para votar num fulano corrupto com jeito de gente boa. Quase sempre por pura e simples carência, acredita em qualquer promessa ou discurso populista. Além disso, a informação que nos bombardeia de todos os lados é contraditória, contaminada por interesses eleitoreiros e pouco adianta para quem não sabe refletir ou escolher as fontes mais confiáveis.
Juntando tudo isso, acho que podemos falar de um futuro sombrio para a pátria amada. Deve ser a tal boa cama do ditado antigo – “quem boa cama faz nela se deita”. Só que sobrou dessa cama aterradora para todo mundo, mesmo para quem não a fez, porque agora todos estamos deitados nela e nem adianta chiar.
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Literatura e vida
No blog Leitura Partilhada, encontrei uma referência a Mia Couto. Fui conferir e encontrei esse texto que me pareceu muito útil pra quem quer se dedicar à ciência ou à literatura.
Se a gente quer fazer, é melhor fazer direito, e as palavras do mestre podem ser muito úteis. Boa sorte e sucesso, coleguinhas.
A gente não deixa de ser quem é quando se torna mãe. Verdade que uma nova persona toma conta do comportamento de quem deu à luz uma criança. Se essa mulher já possuía uma personalidade estável, de bem consigo mesma, maiores serão as chances de desempenhar bem o novo papel. Mas às vezes o fato de se tornar mãe parece gerar energias e recursos que antes não se notavam numa mulher. Vários fatores explicam isso, a começar pelo simples instinto que se manifesta com força e supera muitos interesses egóicos. Pena que isso não aconteça com todo mundo e nem todos os filhos tenham tanta sorte.
Não quero saudar a mãe paradigmática, aquela figura abstrata que mexe tanto com o imaginário das pessoas, que dá ibope na televisão e vende os estoques das lojas em dez vezes sem juros. Me interessam as mães, conhecidas ou não, gente próxima ou distante feita de carne e osso, que sua, perde horas de sono, encara jornadas duplas, triplas e quádruplas para que não falte o essencial aos filhos. Gente que vai muito além do instinto segregado pelas glândulas e, tendo ou não uma boa escolaridade – porque caráter e sensibilidade não dependem disso –, é capaz de sentir com os filhos, entender o que eles significam em sua vida e sempre levar em conta, em suas decisões, o que vai ser melhor para a vida deles.
Essas mulheres estão em todas as classes sociais, todos os bairros e ruas do mundo. São elas que, em última análise, sustentam os valores maiores de uma cultura e de uma sociedade, mesmo sem saber que estão fazendo isso. Esses valores dependem do calor, da segurança, do aconchego – enfim, desse conjunto de delícias a que se dá o nome de amor materno – que cada um de nós tem que aprender desde o útero, durante os primeiros meses e anos de vida – ou, com raras exceções, nunca serão aprendidos.
Tem mais, tem muito mais. Mãe & filho é assunto para tratados em volumes grossos. Mas hoje, o que se quer mesmo é separar as coisas, festejar as mães que merecem esse nome. Nem é preciso explicar muito, porque elas sabem do que e de quem estamos falando.

Munique é um belo filme, e esse é um de seus momentos mais tocantes para quem percebe seu alcance: a chegada de um filho. Um acontecimento capaz de mudar o sentido de nossa vida.


Sombras. J. Rosa.
A dona da pequena loja
de Ana Rech
não estava lá.
Pensei que ia revê-la
na fria manhã luminosa de Ana Rech
por trás de seu balcão de bugigangas
como outrora:
no canto, o chimarrão.
magrinha, baixa e esperta
olhos inquietos
a avaliar os clientes num relance.
A loja vagamente recendia
à folha verde e amarga
que a mantinha alerta e acesa
para os lucros.
Entráramos curiosos
e apenas desejávamos saber
como vivia o comércio de Ana Rech
uma cidadezinha tão pequena
e caprichosa.
ao lado da casa de madeira,
telhados angulosos, europeus,
as trepadeiras pejadas de cachos de flores
quase sorriam.
Dentro da loja, no entanto,
a moça não sorria
mas calculava
movida a mate verde.
A moça esperta da loja de Ana Rech
– que pena –
não está mais no balcão.
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Voltando com grande alegria ao Umbigo, mas ainda sem internet (que não deve demorar). As visitas aos amigos ainda ficam em atraso, mas logo logo vou ver as novidades.
Até breve, amigos.