
Dos Sonetos do Orfeu
V/2
Músculo de flor, que abres a anêmona
quando os prados a manhã abrasa,
até que em seu seio a polifônica
luz dos céus sonoros extravasa;
na silenciosa flor-estrela,
da eterna acolhida o tenso músculo
tão cansado às vezes de movê-la
que, à voz de descanso do crepúsculo,
custas a recolher um por um dos
pétalos arriados para trás:
tu, força e intenção de tantos mundos!
Nós, brutos, vivemos muito mais...
E quando estaremos, em que vida
– abertos, enfim, para a acolhida?
Tradução de Geir Campos
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Boas notícias:
. O Focando vai voltar das férias.
. O Condomínio Brasil tem novidades.
. A Biblioteca Livre vem aí.

Pablo Picasso.
o amor era flor de julho
amor para o mês de férias
e durou noventa dias
o nosso amor azaléia

Para quem conheceu - e se conheceu, amou; para quem não chegou a conhecer, mas só tem a ganhar vendo o filme; para quem nunca se ligou nele;
para quem ama a vida, a poesia, para quem ama o amor. Para gregos e troianos, não deixem de assistir. É boa música, um pedaço da história do Rio e da música popular brasileira, excelentes intérpretes, depoimentos enriquecedores. Como se não bastasse, um filme feito com o coração.

Com esse nome de exorcismo, Como se livrar de Glória ganhou o primeiro prêmio no concurso da Fundação Gutenberg, promovido pela Fábrica de Livros do Rio de Janeiro. Recebi a notícia e na mesma hora me deu vontade de dividir a alegria com a gente boa que já leu e colaborou pra acalmar aquela ansiedade que fica depois que o livro saiu de controle e ganhou uma cara própria. Se estivesse todo mundo por perto, a gente podia fazer uma roda pra comemorar.
E por falar em livros, visitem a Feira do Autor do Condomínio Brasil.

Neblina. Lino Cardoso.
estátuas feitas de fumaça e bruma
entre folhagens distantes
improváveis
asas lunares
ao fundo de um jardim
imaginário
por um desnível no passo
um desencontro
uma viagem de trem só no desvio
noite de muitas luas
manhã no exílio

O Condomínio Brasil abriu uma seção chamada Feira do Autor.
Vamos combinar que vocês não vão esquecer de passar lá.
Nem no lançamento do Blog de Papel.
Nem de contribuir com o livro da Fal.
Nem do Umbigo.


poema em fuga
entre a tocata e seu eco
desdobrado
suaves são os limites desenhados
entre a tocata e seus ecos desvelados
caem limites acesos e convites
a túnica do mar a desfazer-se
entretecida em cores e gemidos
se tramas novas se formam
e a tocata
crescente de ilimites se incendeia
e se o desejo acende novas chamas
o poente ateia ao mar esse delírio
de nunca mais deter o que ora inflama
tange a tocata os sonhos revividos
temas de amor
em cantos repetidos
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Escher. Relatividade.
Quase toda mentira é uma verdade coberta de sujeira.
Às vezes basta um espanador pra achar a verdade que ela tenta encobrir.
Outras, só com soda-cáustica e caco de telha.
Em tais casos, às vezes a verdade morre junto.
Lançamentos
Nossa querida Ana Lúcia Merege está lançando seu terceiro livro.
Estudiosa e grande contadora de histórias, Ana faz aquilo que gosta, curtindo e levando os leitores a curtirem com ela os caminhos da literatura mágica e dos contos de fadas.
O maior sucesso, Ana!
Aí está a agenda dos lançamentos de O Jogo do Equilíbrio:
Biblioteca Popular - Méier - Rio de Janeiro
Rua Castro Alves 155 - Tel.: 2281-5769
7 de Novembro de 2005 - 14:00h
Biblioteca Popular - Botafogo - Rio de Janeiro
Rua Farani 53 - Tel.: 2551-2449
10 de Novembro de 2005 - 15:00h
Mamulengo - Icaraí - Niterói
Rua Presidente Backer 176 - Tel.: 2705-2087
12 de Novembro de 2005 - 15:30h
Vejam aqui agenda de lançamentos do Blog de Papel, obra conjunta do pessoal do blog do mesmo nome, que promete ser um sucesso absoluto.
Até breve
Queridos, estou de viagem para Mariana. Volto na segunda quinzena, talvez.
Até lá, saudade de todo mundo, beijos gerais e muito carinho.

Foto Margarida Delgado
só consegui dizer
confusamente
amor
ainda cedo
antes que a mesa posta do café
se desfizesse
alguém chegou
alguém estava de pé junto à varanda
e tive então certeza
ainda sem ver
sabia
alguém dizia meu nome
com doçura
e a voz ainda estranha
a que dizia
te conhecia de longe
de palavras
- e tanto são mensageiras as palavras
e tanto dizem
quando se sabe lê-las
e esse alguém que me chamava o nome
chamava-se também de um nome antigo
chamava-se também do nome novo
que aprendi a adorar sem tê-lo visto
entra, pensei,
e logo que te abria
a porta de minha sala
abria minha porta
à novidade sem nome que anelava
e desejava tanto
e não sabia
olhei essa pessoa num tumulto
num alvoroço de amor inominado
olhei e abri meus braços
e meu peito
e a boca com que sorria
e respondia
ao beijo de sua boca me sorrindo
e ao pranto com que a paixão
se anuncia
olhei e vi essa imagem e a luz
que entraram juntas pela minha sala
e juntas me envolveram e me tiveram
a seu serviço desde então
a luz que ela irradia
a luz que enfim me acolhe em sua trama
não consegui dizer o que sentia
só consegui dizer
confusamente
amor

Egon Schiele
caminho entre teus gestos descuidada
afeto antigo
por teu amor cheguei
além de meus limites
e me esvaí de mim
vivi além de todas as instâncias
mais do que a vida oferece
mais que os sonhos
agora que me procuro
já não sou eu
mas essa face plasmada pela escolha